25/06/10

LILI E AS MIMADAS

Urtiga é uma cidadezinha fincada no meio da selva amazônica, com aproximadamente 20 mil habitantes que economicamente sobrevivem do funcionalismo público e na economia privada um pouquinho de agricultura e pecuária. O nome Urtiga deve-se por ser uma cidade pequena onde todos os habitantes se conhecem, e quando se conhecem por demais todos sabem da vida de todos, e por quaisquer motivos são motivos para arrumarem coceiras.

Os estudantes de Urtiga são da rede pública de ensino, estadual e municipal, e quem esta cursando faculdade a faz na capital do estado, porem existe em Urtiga uma escola chamada particular, ou melhor: não é bem “escola particular”, mas também não faz parte da rede pública de ensino, a Escola Castelo. A Escola Castelo aplica um excelente método de ensino, e muitos alunos que lá cursaram o ensino fundamental é médio conseguiram entrar em faculdades e passar em concursos públicos e já estão no campo de trabalho.

A escola Castelo por não receber recursos públicos divide as despesas da escola em mensalidades, por ser pago o ensino estudam na dita escola pessoas que tem melhor recursos financeiros, e, por ironia estudam os filhos dos professores da chamada “Rede pública de Ensino”, que caracteriza que o bom para suas crias não é o fatídico ensino público. Por parecer particular tornam a maioria das alunas elitizadas e como são em suas casas são na escola; mimadas e com ar de superioridade.

Lili não, ela mora na zona rural, de sua morada até a escola Castelo são 01 uma de carro para vir e mais 01 hora para voltar para casa, se for de coletivo dos estudantes o percurso é bem mais demorado, diferente das aluninhas mimadas que cursam a mesma série da Lili, logo que saem da aula já estão em casa ou nas rodinhas jogando conversa fora, até mesmo papinhos de paquera que já desperta curiosidade nas pré-adolescências.

Os pais de Lili têm por objetivo único educar e formar suas proles com qualidade, com qualidade e aplicação pode-se enfrentar as adversidades que a vida proporciona, na visão correta e serena dos pais de Lili não terá chance no mercado de trabalho quem não fizer a coisa certa agora, e isso a Lili absolveu muito bem, ela dedica seu tempo em sala aula somente para aprender, e quem se dedica aprende, e quem aprende se destaca para melhor em relação as que fazem em classe uma local de relacionamentos que não tem nada a ver com o principal objetivo. Lili é a aluna mais aplicada da classe, e em conseqüência é dona das melhores notas das disciplinas aplicadas, mas as “coleguinhas“ de classe não vêem desta forma, seus mimos não permitem aceitar quem se dedica para ser melhor, preferem ficar na “zoação” e com ataques de preconceito e humilhação, isso por Lili ser humilde e não compor “o time” das que fazem da escola Castelo um local de amostra de objetos de consumo.

Este que narra esta crônica não pensa que as escolas devam viver um regime e comportamento militar, mas pensa que o corpo docente deveria ser a agir com mais altivez nas questões relacionadas a comportamentos, melhor gerenciar uma sala de aula não é extrapolar limites ou colocar mordaças. Quando os alunos estão na escola cabe aos seus responsáveis ou mestres sugerir métodos de bons costumes, principalmente quando esta em questão gestos de humilhação e preconceito de uns para com outros. Um dia a consciência de quem deveria zelar por comportamento e igualdade de todos, poderá ser cobrado por omissão.

Lili não é só a aluna mais aplicada da escola, ela é linda e de uma educação imensurável, ela e seus pais tem a consciência de não ser necessários coisas fúteis que o consumismo oferece. Não é um novo aparelho de celular, um vestuário de Grif, um calçadinho que a televisão mostra que mede a potencialidade de uma pessoa. O que é bom para si no futuro é poder ser altiva na hora de participar dos principais debates que um dia à de aparecer. Debates úteis individualmente e para a sociedade, estar crescendo intelectual moral rumo e vida estável.

Quem é Lili? Lili é uma pessoa que pensa e age dentro de um projeto coerente de seus genitores. Lili esta sendo preparanda para o futuro, que, diga-se de passagem, deverá ser brilhante.

4 comentários:

Cacá disse...

A ESCOLA (DE UMA FORMA GERAL) ESTÁ DEIXANDO DE SER UM CENTRO FORMADOR DE SERES HUMANOS INTEGRAIS NA SUAS POTENCIALIDADES PSICOSSOCIAIS E HUMANAS PARA FORMAR COMPETIDORES, GENTE PARA DISPUTAR O MERCADO DE TRABALHO E DE CONSUMO. ISSO É UMA LÁSTIMA EM TODOS OS ASPECTOS. ABRAÇÃO, MEU AMIGO SUMIDO.PAZ E BEM.

everaldo disse...

Parabéns pelo belo texto, e ao lindo comentário do Cacá.

Francisco Dias disse...

Bullying é uma situação que se caracteriza por atos agressivos verbais ou físicos de maneira repetitiva por parte de um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo inglês refere-se ao verbo "ameaçar, intimidar".
Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. E todo ambiente escolar pode apresentar esse problema. "A escola que afirma não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua existência", o papel da escola começa em admitir que é um local passível de bullying, informar professores e alunos sobre o que é e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática - prevenir é o melhor remédio. O papel dos professores também é fundamental. Eles podem identificar os atores do bullying - agressores e vítimas. "O agressor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar onde tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz isso no ambiente escolar", já a vítima costuma ser uma criança com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto no lar. "Por essas características, é difícil esse jovem conseguir reagir. Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno reage, a tendência é que a provocação cesse.

Claro que não se pode banir as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. O que a escola precisa é distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. "Isso não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?". Ao perceber o bullying, o professor deve corrigir o aluno. E em casos de violência física, a escola deve tomar as medidas devidas, sempre envolvendo os pais.
Só a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um agressor. "A tendência é que ele seja assim por toda a vida a menos que seja tratado", diz. Uma das peças fundamentais é que este jovem tenha exemplos a seguir de pessoas que não resolvam as situações com violência - e quem melhor que o professor para isso? No entanto, o mestre não pode tomar toda a responsabilidade para si. "Bullying só se resolve com o envolvimento de toda a escola - direção, docentes e alunos - e a família".Boa Sorte e nunca baixe a guarda.

SIMEI disse...

Meu bom amigo Francisco Dias, eu estava com saudade de você. Também pudera, eu também esta um cadinho sumido né não?

Fico muitíssimo feliz quando você tráz a este meu humilde espaço opinião tão serena e sensata. Volte sempre e seja muito feliz

Abs