Em 2002 sofri um acidente de motocicleta, fui atendido no Pronto Socorro de Rio Branco, enquanto aguardava um leito na Fundhacre que hoje é Hospital das Clínicas para fazer cirurgia fiquei deitado numa cama com a perna esticada e um peso amarrado nos pés de uma sexta a segunda feira. Na mesma situação que eu estava muita gente, alguns deles disse estar aguardando há quase trinta dias. Tinha pacientes muito pior que eu, eu era a perna outros tinham perna, braços, clavícula quebradas e uns pareciam umas múmias só com os olhos de fora. Entrei em pânico, eu ficar aqui com esse saco de areia nos pés por esse tempo todo? Pior não é só ficar na situação que estava tudo era um clima de horror. A maior humilhação que passei em minha vida foi na hora de fazer a obrigação das “necessidades fisiológica”, tinha apenas um pequeno tapume para enganar que estava dando privacidade, um acompanhante empurrava recipiente para debaixo das nádegas e para fazer a higienização dependia de terceiros. Muitos que ali estavam passavam pela mesma humilhação por vários dias.
Um amigo meu que era amigo de um empresário que era amigo de um senador mexeu os pauzinhos; o empresário ligou para o senador e disse: senador, um amigo meu esta internado no pronto socorro e precisa de um leito na fundação hospitalar. Fui orientado quando chegasse me perguntado se era eu o amigo do empresário eu confirmasse, eu nem conhecia a pessoa; Dito e feito, no sábado foi ao meu leito um assessor do senador, na segunda feira fui transferido na quinta feira recebi alta. O senador mandou que um leito reservado para um médico candidato a deputado fazer campanha fosse cedido a mim, Fui privilegiado contrariando tudo que eu pensava, eu deixava para trás pessoas que estavam aguardando há muito mais tempo que eu, mas como diz o ditado “Pipoca sentido fogo na bunda pula”, sai sem olhar na cara de ninguém, com medo que minha consciência me fizesse voltar. Estava deixando para trás um local que mais parecia um campo de concentração para o holocausto.
A Fundação naqueles tempos proporcionava espetáculo de horror ao vivo, era um amontoado de gente sem espaço para andar ou aguardar atendimento. Fora da UTI e nos quartos de repouso dos pacientes tudo era lixo com odores insuportáveis.
Hoje voltei a freqüentar o Hospital das Clinicas, como muitas obras belas de infra-instrutora que o governo criou no estado do Acre inclui-se o novo HC, ficou com espaço para ATENDIMENTO de primeiro mundo. Alem da beleza e atendimento personalizado ficou muito espaçoso, tudo muito limpo e ainda toda a área interna climatizado. Não podemos negar os avanços que houve na saúde, tirando alguns funcionários carrancudos e mal humorados que acham que a clientela da saúde pública tem que ficar calado não podendo reclamar de nada. Porem como eu disse o atendimento ficou de primeiro mundo, quanto à quantidade suficiente de médicos e equipamentos para atender a demanda que é crescente ai é outra história.
Foi marcada uma consulta com oftalmologista para minha filhinha, para quem são sabe moro no interior, próximo da capital, mas é interior. Primeiramente a demora para o dia da consulta, na primeira vez que fomos depois de aguardar um tempão foi avisado que o médico não viria e foi remarcada a consulta, na segunda consulta depois de dilatar os olhos de minha filha a médica disse que não poderia atender porque o aparelho de medição de olhos estava quebrado há quase um ano, depois de uma cerrada reclamação da mãe de minha filha foi remarcada para hoje 12/12/11 para estar lá as 07:30h, apesar de ter 03 consultórios só um médico iria atender, como de fato pouco mais das 09:00h o médico chegou, a funcionária orientada pelo médico foi dizendo: os pacientes que necessitava do Aparelho de medição deveria guardar chegar o dito, logo depois o aparelho chegou mas veio errado, o médico foi embora quando o bendito aparelho certo chegou vamos esperar o médico.
O que se via na espera eram crianças, muitas delas portadoras de deficiências físicas, umas de colo outras fadigadas outras eram cadeirantes como minha filha é. Se viu o desconforto das mães vendo chegar a hora da alimentação dos seus filhos, lá pela 11:00h o médico chegou e recomeçou o atendimento.
Quando minha filha foi consultada o médico usou o tal aparelho e disse não ser possível concluir a consulta, pois as crianças com paralisia cerebral a certa dificuldade em cooperar, que só existem duas formas de concluir o exame, por “Sedação” ou que procurem um médico particular é o único que tem o aparelho que mede a distância sem tocar na paciente, ele disse que o tal médico foi a um congresso no exterior e trouxe o aparelho. A mãe de minha filha disse ao médico: por sedação é inviável, por duas vezes minha filha fez exame desta forma e passou mal, inclusive minha filha teve que ir ao balão de oxigênio. Desta forma não tem alternativa, o médico do HC encaminhou para o médico particular. Depois de 03 viagens ao HC temos que recorrer ao atendimento particular. Também pudera, se público um aparelho corriqueiro fica quase um ano quebrado imaginem quando o HC vai ter o aparelho que o médico sugeriu.
Nestas minhas poucas linhas é necessário fazer um comentário político, sou sabedor o quanto meu estado do Acre ganhou com a atual gestão que esta no poder a pouco mais de doze anos. Foram muitas obras que geraram empregos e deu qualidade aos munícipes e aos servidores do estado que trabalhavam em repartições precárias. Porem o atendimento da saúde pública tem que caminhar muito mais, as grandes obras não podem só servir de banner para propaganda política.
2 comentários:
Caro Simei. Fico a imaginar o sufoco da população da sua cidade. Saúde no Brasil ainda precisa melhorar muito. Minha filha foi pelo Projeto Rondon em uma cidade do Maranhão. Voltou horrorizada. Remédio só para quem vota no sarney. Aqui em SP o hospital municipal está um verdadeiro caos. Teve até reportagem no Datena. Abraços. vava
Grande amigo Vavá, obrigado pela visita.
Sabe Vavá, a saúde pública é ineficiente no Brasil todo, Só não vê que é quem não precisa dela.
Um Abraço, volte sempre!!
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